Liberdade conquistada

José Manuel Caselhas é um pontessorense simpático, alegre, muito inteligente e com uma enorme facilidade em exprimir as suas ideias. Uma pessoa aparentemente normal não fosse a desconexão dos seus movimentos musculares denunciarem a doença de foro neurológico, diagnosticada desde a sua infância que o deixa incapacitado de executar movimentos coordenados, diminuindo a sua mobilidade e capacidade motora. Devido à sua doença, e com o passar do tempo, José Manuel viu-se obrigado a restringir o seu dia-a-dia entre as paredes da sua casa. Deixou de sair mais vezes à rua e quando o fazia dependia sempre da ajuda da sua mãe. Porém, desde há três semanas atrás, essa realidade já não é a mesma. Um grupo de profissionais de saúde e amigos do José ofereceram-lhe uma scooter adaptada que lhe permite uma autonomia que anteriormente não usufruía. “Não é como andarmos pelas nossas próprias pernas mas permite-nos ter uma maior mobilidade. Estava a ficar muito preso em casa, quase que não saía. Andar de braço dado com a minha mãe já não era tão seguro, tanto para mim como para ela. Agora posso ir mais facilmente à rua. Tenho ido até à Zona Ribeirinha ou tomar um café ao Albatroz. Já saio mais vezes. É uma autonomia completamente diferente”, conta-nos entusiasmado e com um brilho nos olhos.

Há sempre uma mão amiga disposta a ajudar
A iniciativa partiu de Rui Farinha (enfermeiro do Centro de Saúde) e da sua esposa Ana que contaram o caso do José Manuel à assistente social, Rosa. Os três “mexeram os cordelinhos” e lá conseguiram arranjar esta “preciosidade”. Graças a esse grupo de pessoas, dispostas a ajudar o próximo, José viu assim o seu sonho concretizado. É como se tivesse conquistado a sua liberdade e, enquanto conversa connosco, a felicidade que sente, evidencia-se. Por sua vez, a mãe de José, que o acompanha desde sempre nesta luta constante, demonstra-nos a sua infinita gratidão para com o gesto solidário destas pessoas. “Deus dê muita sorte a quem teve esta iniciativa”, diz emocionada. “Estou-lhes muito agradecida porque hoje vejo a felicidade do meu filho e apercebo-me o quanto ele sofria por estar aqui dentro de casa e não poder ir aos sítios que gosta”. O dia em que recebeu a sua scooter foi um dos mais importantes da sua vida e a adaptação ao seu novo meio de transporte não poderia ter corrido melhor. “Adaptei-me facilmente. Pode parecer piada o que vou dizer mas não é: isto é como andar de bicicleta, quem sabe nunca esquece, com se costuma dizer.”


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