Pontessorenses pessimistas em relação a 2012
mas conservam a esperança em dias melhores
A crise em que vivemos


O novo ano arrancou com um pessimismo crescente em Portugal. A uma maior carga fiscal, principalmente devido a cortes drásticos nas deduções previstos pelo governo, ao que se juntam os cortes nos subsídios de férias e de Natal, previstos pelo menos até 2013 para os funcionários públicos e pensionistas, a proposta de Orçamento do Estado para este ano, não deixa muita folga financeira aos portugueses. Como se não bastasse o aumento do IVA em muitos produtos essenciais e nos serviços como gás e electricidade e a revisão do contrato de trabalho levam a que muitos de nós encarem o futuro como uma autêntica “nuvem negra”. Fomos para a rua ouvir os pontessorenses e quais as suas perspetivas para o ano que agora começa. Ouvimos que não se esperam melhoras num futuro imediato, embora os esforços que todos estamos hoje se possam refletir em dias mais “solarengos” num futuro próximo.

Trabalho a partir do Verão
Nuno Prates (na foto, em cima, à esquerda) tem 33 anos é natural de Montargil e, de momento, está desempregado. “Gostava que 2012 fosse melhor, com mais empregos para toda a gente e mais poder de compra, mas julgo que não é isso que vamos ter”, diz ao nosso jornal. Divorciado e com uma filha a estudar, Nuno Prates confirma ser “complicado criar um filho num clima económico como este que atravessamos”. O montargilense está, para já, desempregado, contudo espera, num futuro próximo, encontrar trabalho com facilidade. “No Verão tenho emprego, na cortiça, mas tenho de esperar até lá. Faltam só uns meses. O dinheiro que ganho por lá não me chega para o ano inteiro, mas tenho perspetivas de voltar ao trabalho que já tive, de segurança”, observa.

Falta poder de compra
A crise que vivemos é transversal a todos os domínios sociais. Domingos da Cruz (na foto, em cima, à direita) tem 41 anos e é proprietário do café “O Relvão”. O pontessorense teme pelos temos mais próximos. “Penso que o futuro vai ser complicado. As pessoas não têm poder de compra e fogem dos estabelecimentos comerciais. Os ordenados estagnaram, os subsídios dos funcionários públicos foram suspensos, os impostos são mais e os preços dos bens essenciais, e dos serviços, também subiram, de maneira que não estou muito otimista em relação ao ano de 2012”, considera. Casado, e com três filhos, Domingos da Cruz diz que não é fácil gerir o orçamento familiar com os filhos a estudar. “Mas tem de chegar para todos”, aponta. “Vai ser um ano pior que 2011”, acusa António Marcelino (na foto, em baixo, à esquerda), 62 anos, aposentado. Este pontessorense tem dois filhos, maiores de idade, e diz que, para eles, a situação é ainda mais desfavorável. “Isto está mau, não só para os pensionistas, mas também para quem trabalha porque paga mais impostos. Perspetivas boas não vejo nenhumas”.

“Ano para arrumar a casa”
No meio do pessimismo há quem conserve esperança em dias melhores. É o caso de Rui Varela, engenheiro agro-industrial (na foto, em baixo, à direita). “É um ano em que temos de aceitar a ideia de que não vai ser excecional. É um ano para arrumar a casa. Teremos de aceitar alguns sacrifícios para depois podermos melhorar”, disse a Ecos do Sor. “As pessoas vivem agora com mais dificuldades e com menor poder de compra, mas acredito, e com convicção, que os sacrifícios que agora se pedem vão dar resultados no futuro”, acrescenta Rui Varela. O engenheiro agro-industrial é também o Presidente da Direcção da Associação de Criadores de Ovinos da Região de Ponte de Sor (Acorpsor). Perto dos agricultores e dos criadores pecuários, Rui Varela avança que as perspetivas para o setor não são as piores. “Estamos habituados às dificuldades. Existem sinais positivos e foram adotadas algumas medidas, no IVA, por exemplo, que desceu, no caso dos óleos alimentares, e que não subiu, no caso das máquinas agrícolas. As ajudas também têm sido pagas a tempo e horas, o que também é bom. São sinais positivos que nos permitem ter esperança num futuro melhor para o setor”, conclui.


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USePS assinala Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações
Melhor qualidade de vida


O anfiteatro da Escola Secundária de Ponte
de Sor foi palco, a 13 de Janeiro, de uma palestra levada a efeito pela Universidade Sénior de Ponte de Sor (USePS). A iniciativa surge integrada no Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações (que este ano se assinala), uma oportunidade para todos de refletir sobre o facto de os europeus viverem agora mais tempo e com mais saúde do que nunca e aproveitar as oportunidades que se oferecem. Fátima Pinheiro (na foto, primeira a contar da esquerda), elemento da direção da Escola Secundária de Ponte de Sor e professora voluntária da USePS disse ao nosso jornal que a iniciativa surgiu no âmbito das experiências de trabalho conjuntas entre os alunos da secundária e da USePS. “Tivemos esta oportunidade para abordar a temática do envelhecimento ativo e da solidariedade entre gerações, numa iniciativa dirigida à população sénior, nomeadamente aos alunos da USePS, a uma turma de 11.º ano do ensino profissional (Apoio Psico-Social) e a uma turma do Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF)”, disse.

Iniciativa foi “pontapé de saída” das atividades previstas
Para Fátima Pinheiro, a iniciativa reflete, também, os objetivos das aulas que lecciona na USePS. “Tento contribuir para que os seniores tenham um envelhecimento numa perspectiva ativa numa aula de Cultura e Cidadania, onde fazemos, sobretudo, uma reflexão sobre questões do quotidiano, de assuntos nacionais e internacionais. Mas sempre numa perspetiva de contribuir para que o envelhecimento seja um processo natural mas com qualidade de vida, de bem-estar físico e psicológico. Penso que isso é conseguido naquelas aulas”, observa a professora. De acordo com Fátima Pinheiro, a palestra na Escola Secundária, foi apenas a primeira iniciativa de um conjunto previsto pela USePS de forma a assinalar o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações. “Temos um plano de acção onde estão previstas diversas actividades tais como: percursos citadinos de forma a encontrar pontos fortes e fracos em relação à população sénior, a elaboração de uma carta dos direitos dos seniores para posterior apresentação ao município, e outras iniciativas de carácter lúdico como caminhadas ou a participação em encontros nacionais”, revelou ao Ecos do Sor.

Articulação entre instituições
Margarida Madeira (na foto, ao meio) é professora adjunta da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra foi a personalidade convidada para esta conferência. Em declarações ao nosso jornal, explicou a importância da partilha inter-geracional. De acordo com a professora, o distrito de Portalegre está incluído na região Alentejo, uma das regiões que regista um maior envelhecimento do país. “Não só pelo aumento do número de pessoas mais velhas, mas também pela própria desertificação”, sustentou. “Os mais novos não ficam por cá. Procuram os grandes centros urbanos. Os que cá ficam acabam por ser os idosos que se vêem rodeados por pessoas também elas de muita idade”, observou Margarida Madeira, que não esqueceu a importância das instituições que prestam apoio a este segmento, maioritário, da população. “Penso que o mais importante é existir uma articulação entre as instituições de saúde e as instituições sociais e a própria comunidade civil de forma a que as pessoas não se sintam desenraizadas, sozinhas e excluídas da sociedade”, admitiu.

Desconstruir ideias pré-concebidas
Porém, e de acordo com a professora auxiliar de enfermagem, para que estas instituições, ou organizações, possam dar um contributo na melhoria da qualidade dos nossos idosos, também é preciso sensibilizar para a aceitação da pessoa idosa e para uma nova visão sobre este segmento da população. “Costumo dizer que é necessário desconstruirmos as ideias pré-concebidas que temos sobre os idosos para os vermos incluídos na sociedade. Ao contrário do que possa parecer, a pessoa idosa tem muito valor e ainda tem muito para dar aos outros. Através da ida às escolas, ou da recolha da cultura popular. É importante que vejamos nestas pessoas uma fonte de conhecimentos”, concluiu Margarida Madeira. Perante uma plateia repleta de alunos, estiveram presentes, entre outros, o presidente da direção da USePS, Pedro Lopes (na foto, à direita), Manuel Andrade, director da Escola Secundária de Ponte de Sor e um representante da GNR local.


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Alunos de Ponte de Sor da EANA no Festival
de Clarinetes do Norte Alentejano

Música Maestro

São 17 os alunos de clarinete do pólo de Ponte de Sor da Escola de Artes do Norte Alentejano (EANA) que vão marcar presença no I.º Festival de Clarinetes que decorre entre 17 a 20 de Fevereiro em Portalegre. De acordo com a AENA, entidade organizadora da iniciativa, a iniciativa “destina-se a alunos provenientes de todas as Escolas Superiores, Escolas Profissionais, Academias, Conservatórios e Bandas de Música”. O Festival “pretende proporcionar aos participantes a oportunidade de aperfeiçoar aspetos relacionados com a prática do instrumento e do seu repertório que a ele se aplica”. A EANA avança ainda que durante os quatro dias do Festival, “os alunos terão oportunidade de trabalhar com os diferentes professores, e de se apresentarem no concerto final”.

Iva Barbosa e Josep Fuster
Destaque neste Festival para o “Concerto de Abertura com Ensemble de Clarinetes do Norte Alentejano”, que tem lugar no primeiro dia da iniciativa, 17 de Fevereiro, pelas 21h00, para o Recitais dos clarinetistas Iva Barbosa, a 18 de Fevereiro, às 19h30, e de Josep Fuster, no dia 19 às 19h30 e para dois seminários: “Escolha de palhetas”, no dia 18, às 14h30 e “Fabrico de Clarinetes”, no dia 19, às 14h30. Ambos os seminários, são realizados pelas marcas patrocinadoras da iniciativa. A EANA revela por fim que “haverá um Luthier (técnico de Reparações) disponibilizado pela casa Cardoso & Conceição; diversas exposições de partituras, Clarinetes Buffet Crampon e Yamaha, e palhetas RICO;. A Yamaha apresentará o novo clarinete da gama CSG, assim como o lançamento do último CD de Josep Fuster”.


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