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Trabalhar no silêncio
Já alguma vez leu ou ouviu esta frase simples: a erva cresce de noite. À primeira vista, parece uma palavra banal como a erva. Mas não é tanto assim. A erva cresce de noite, isto é, np silêncio, na escuridão, no apagamento, enquanto outros se divertem ou dormem.
É isto o que exactamente acontece com as coisas importantes, com as grandes obras e com as pessoas de grande valor: crescem, valorizam-se no silêncio dos laboratórios, dos arquivos poeirentos das bibliotecas, da oficina tosca, do lar pobre ou da cozinha com um simples fogão e pouco mais…
Estamos habituados ao ruído à volta das pessoas e das coisas: à publicidade, às entrevistas, às conferências de imprensa. Se repararmos com inteligência, concluimos que o que é mais publicitado nem sempre é o que mais vale, porque não se impõe por si ou é içado pelos interessados do marketing. E isto, é em todas as coisas e agora, mais do que nunca!
Sabemos que o ruído publicitário, com envolvências por vezes ridículas, nestes tempos que correm, tornou-se indispensável para promover e vender.
Nós, no entanto, temos de continuar a dar valor aos que crescem de noite: que trabalham no silêncio, na humildade, até que o valor da sua obra os faça irromper para a luz. Temos de dar valor ao que estuda, que investiga, que descobre, que cria, que escreve, sem que o seu nome apareça.
A erva humilde cresce noite e dia… E há flores - milhões de flores - que nasceram, viveram e morreram aí em qualquer campo ou beiral, sem ninguém as ver, sem ninguém admirar a sua beleza nem ouvir o seu grito de louvor ao Criador…
Como há gente maravilhosa - tanta gente extraordinária e simples - que trabalha no silêncio da vocação religiosa ou profissional, sem que ninguém ponha no seu trabalho um olhar de admiração, de estímulo e gratidão…
Quantas pessoas que vivem connosco ou à nossa volta e não nos damos conta da grandiosa obra que vão construindo todos os dias!? Ás vezes só damos conta da sua presença, quando nos faltam. O seu trabalho no silêncio não deu nas vistas, mas foi um trabalho importante que deixou marcas, que foi testemunho. Estes e estas são grandes construtores que dão cor à vida e vão pintando de esperança cada dia que lhes é oferecido.
Pe. Agostinho de Sousa
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