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Dizer Mal ...
Exigentes com os outros. Compassivos connosco próprios. Somos por natureza assim. Por isso as pessoas com quem convivemos diariamente são assim. Quiçá, resida aqui um dos motivos pelos quais olhamos à nossa volta e vemos tanta [de]pressão, tanto stress, tão pouca paz! O clima de competitividade que nos rodeia gera desconfiança, logo o primeiro olhar que lançamos para os outros é de suspeita: apuramos o nosso olho cirúrgico para o que no outro é defeito [ou feitio], para o que nele está mal. Primeiro vemos os males, e depois com o tempo, se o outro não representar para nós perigo de concorrência, lá vamos descobrindo algumas qualidades! Há dias, num grupo de oração/partilha, alguém dizia da surpresa que teve ao ser confrontado com esta verdade, da parte de uma criança. Como quase sempre, as crianças são boas em dizer as verdades. E fazem-no muitas vezes sob a forma de interrogação. Como desta vez: “Ó pai, porque é que tu nunca dizes mal das pessoas?” “Sim! Nunca te ouvi dizer mal de ninguém!” - respondeu o miúdo de 9 anos perante a cara estupefacta do pai! Esta pergunta traz implícitas muitas verdades: antes de mais que os miúdos estão muito atentos aos adultos que os rodeiam. Que este miúdo em concreto vive num mundo onde é mais normal dizer mal do que bem. E que as crianças, desde muito cedo têm noção do Bem e do Mal. É a velha questão do copo meio cheio ou meio vazio. Prende-se com a forma como encaramos a vida. Quando dizemos mal dos outros, apresentamo-nos a nós próprios! Fazer o [bom] propósito de descobrir nos que nos rodeiam mais qualidades do que defeitos, não nos será natural. Talvez até seja difícil. Mas faz muito bem à alma e ao corpo. A nós e aos outros. Mesmo nas simples conversas de “bate-papo”, há sempre mais assunto para alimentar as nossas “cavaqueiras” se o tema versar sobre alguma coisa que não está bem. É bom lembrar que não dizer mal, não castra o nosso espírito crítico nem nos retira a nossa escala de valores; não nos venda os olhos, nem nos torna amorais (= não ter noções morais). Não faz de nós ingénuos nem “totós”. Ajuda-nos, simplesmente, a ser melhores. Porque nos ajuda a ver o melhor dos outros. Faz-nos mais compassivos com os outros. E provavelmente, mais exigentes connosco próprios!
Pe. Alberto Porfírio Tapadas
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